sexta-feira, 18 de julho de 2014

FREUD Museum - Londres




         
       Foi nesta casa que Sigmund Freud passou o último ano da sua vida. Mudou-se para cá em 27 de setembro de 1938 e aqui permaneceu até a sua morte, aos 83 anos, em 23 de setembro de 1939. Sua esposa Martha, sua cunhada Minna, sua filha Anna e a empregada Paula Fichtl continuaram nesta casa, que permaneceu ocupada até a morte de Anna Freud em 1982. De acordo com o seu testamento, a casa foi convertida para um museu e aberta ao público em 1986.
        Freud foi para Londres refugiado dos nazistas. Obras suas e dos seus colegas psicanalistas foram publicamente queimadas na Alemanha em 1933. Os anos que se seguiram presenciaram a emigração de membros da comunidade psicanalítica de Viena, que era na sua grande maioria, judaica.  Mas Freud se recusou a sair; depois que a Austria fora anexada a Alemanha em 1938 a família Freud começou a ser perseguida pelos nazistas e então decidiram sair da Berggasse 19 - Viena (lugar onde viveu 47 anos) com destino a Londres, uma casa no número 20 da Maresfield Gardens.
   
       O jardim de inverno no fundo da casa era o lugar preferido do Freud enquanto descansava, sempre que podia e o tempo permitia ele estava lá brincando com o seu cachorro. As festas da família também eram comemoradas neste jardim maravilhoso.

      Um dos cômodos mais interessantes desta casa é o gabinete, que foi conservado pela Anna Freud depois da sua morte. Lá encontra-se o divã analítico original, trazido de Viena, onde os pacientes deitavam confortavelmente enquanto Freud, fora do alcance deles na sua pontona verde, escutava "livres associações". Eles deveriam falar tudo que viesse à mente, sem peneirar ou selecionar, conscientemente as informações. Este método tornou-se o alicerce sobre o qual a psicanálise foi construída.



       O gabinete é repleto de peças antigas gregas, romanas, egípcias e do Oriente. Freud visitou alguns lugares arqueológicos (embora não no Egito) mas a maioria das peças foram adquiridas na mão de antiquários em Viena. Dizia que a paixão por colecionar antiguidades só era superada em intensidade pelo seu vício de fumar charutos. A importância da coleção é também evidente no uso que Freud fez da arqueologia como metáfora para a psicanálise. Um exemplo disso é a explicação de Freud para um paciente, que o material consciente "se desgasta" enquanto que o que é inconsciente é relativamente imutável: "Ilustrei minhas observações apontando para os objetos antigos da minha sala. De fato, eles eram, eu disse, apenas objetos encontrados numa tumba e o sepultamento havia sido a preservação deles." A mente humana deveria ser cuidadosamente estudada, parte por parte, assim como na arqueologia.

Prateleira atras da escrivaninha


     As circunstancias impediram que Freud pudesse trazer todos os seus livros de Viena mas a biblioteca de Maresfield Gardens contém aqueles escolhidos por ele. Abrangem uma vasta gama de assuntos: arte, literatura, arqueologia, filosofia e historia, assim como psicologia, medicina e psicanálise. Óbvio que ele não deve ter lido todos - isso foi provado pelo livros que permanecem intactos na estante, ainda com as paginas grudadas por nunca terem sido folheadas, muitos também foram presentes com dedicatórias.
      Na prateleira atras da escrivaninha de Freud estão alguns dos seus autores prediletos: não apenas Goethe e Shakespeare mas também Flaubert, Heine e Anatole France. freud reconhecia que poetas e filósofos tinham alcançado perspectivas do inconsciente que a psicanálise procurava explicar sistematicamente. 
     Nas paredes do gabinete estão os quadros e as gravuras de Freud, no mesmo lugar onde ele os dispusera: entre eles "Édipo e o enigma da Esfinge" e "A aula de Dr. Charcot" além de fotos da Martha Freud, Lou Andreas-Salomé, Yvette Guilbert, Marie Bonaparte e Ernst von Fleischl.

Gabinete de Freud

    No quarto da Anna Freud há aspectos do seu trabalho e um pouco da sua personalidade: mobílias do seu escritório (entre elas o seu divã analítico) e o tear que ficava no seu quarto de dormir. Anna gostava muito de tecer e tricotar. Ela tricotava durante as sessões de análise de seus pacientes. Anna nasceu em 1895, a sexta e mais nova criança de Sigmund e Martha Freud. Em 1914 começou a estudar para ser professora primária mas em 1918 começou também a sua formação como psicanalista leiga, analisando-se com o seu pai. 

    Embora curta, a sua carreira na área de ensino serviu de base para o seu trabalho pioneiro no campo da psicologia infantil. O seu trabalho "Introdução a Técnica da Analise da Criança", foi publicado em 1917 e o seu influente "O ego e os mecanismos de defesa", em 1936. Este Anna entregou para o seu pai como presente de aniversário com uma dedicatória. As pessoas diziam "com o pai aprendemos a entender o inconsciente e com a filha os mecanismos de defesa para este". Ao lado estão diplomas de diferentes universidades parabenizando-a pelo seu excelente trabalho.
Quarto da Anna Freud
Resposta a um email

Seu quarto
 Seguem algumas informações sobre como chegar e mais fotos da casa!






Horário de Funcionamento:
Quarta - Domingo 12:00 - 17:00
Endereço: 
20 Maresfield Gardens - Estação Finchley Road da jubilee line
London NW3 5SX
Tel: +44 (0)20 7435 2002
Fax: +44 (0)20 7431 5452
Email: info@freud.org.uk

Adultos: £7.00














quarta-feira, 9 de julho de 2014

Uma Dose de Si Mesmo: Uma dose de mim mesmo

Uma Dose de Si Mesmo: Uma dose de mim mesmo: "Você teria coragem de entrar num avião sabendo que o piloto não tem experiência para usar os instrumentos de navegação para levantar ...

Uma dose de mim mesmo

"Você teria coragem de entrar num avião sabendo que o piloto não tem experiência para usar os instrumentos de navegação para levantar voo ou aterrissar? Certamente não! O problema é que, inacreditavelmente, a mais complexa das "aeronaves", a mente humana, tem um piloto frequentemente imaturo e despreparado para dirigi-la: o EU" Augusto Cury
Local das caminhadas...
       Não era um momento fácil, eu atravessava um dos maiores obstáculos da minha vida. Morava em São Paulo e como um passarinho aprisionado o que eu precisava era voar, fugir para falar a verdade. Parecia não haver saída, o túnel havia se fechado e a tristeza estava tomando conta de mim, me tornando uma pessoa completamente diferente: triste, covarde, ansiosa, anti social ...
      Decidi que a única saída seria me mudar, sair dali, afinal a culpa só poderia ser da cidade! Então reuni tudo que eu tinha e vendi. Tudo mesmo! Porta retratos com fotos, artigos comprados em viagens que talvez eu não tenha mais chance de fazer... existia uma possibilidade de fechar aquele livro e abrir um outro. Escrever então uma nova história. 
       Assim cheguei no Rio de Janeiro, com uma mão na frente e outra atrás tive uma grande amiga que me alugou um quarto e aquele deveria ser o início perfeito. Só que não quero fazer disso aqui um diário então basta apenas dizer que o Rio de Janeiro não era pra mim. A cidade não me comportava...eu continuava ranzinza, estressada e muuuuuito triste. Demorei para entender que o problema não era o meu trabalho, os meus amigos, relacionamento ou a cidade. O problema estava comigo! Eu era a minha grande sabotadora.... E por que?
Solicitei uma licença no trabalho e decidi mudar toda a minha vida, fazer algo que nunca havia feito, morar em um lugar diferente, aprender uma nova língua e principalmente: fugir de tudo que me afligia!
        A procura não foi tão grande, entrei em um site de babysitter e tive a sorte de começar a conversar com uma família bem legal da Itália, em 1 mês lá estava eu. Em uma cidade de 12mil habitantes apenas (Deve ter essa quantidade aqui na esquina do meu prédio após o jogo do Brasil...), morando em uma casa linda, grande e completamente diferente das que eu conhecia no Brasil, arranhando apenas um "Buongiorno", responsável por cuidar de duas crianças cheia de energia. Uma agenda relativamente cheia para a novidade mas um revira-volta interessante. Ali tudo realmente começava de novo.
    
   Começando do começo: a cidade chama-se Trezzo Sul'Adda pois é banhada pelo rio Adda, então todas as cidades que fazem fronteira com esse rio ganham o Adda no final dos seus nomes. Fica no norte da Itália, 30km de Milão e 15km de Bergamo. Para chegar basta pousar em Malpensa e pegar um ônibus que sai do próprio aeroporto com destino a Trezzo, ou a Bergamo e depois um novo trem.
         
         A cidade é linda, calma e tranquila. Todos se conhecem. Tratei de conseguir um curso de italiano e no meio das minhas atividades eu ia a academia e estudava o idioma. Nos tempos livres visitava as praças e o castelo... Onde eu encontrei o meu lugar preferido. A hidrelétrica possui uma vista fantástica, fica ao redor de um lago onde tem um restaurante logo na entrada que é impecável! Vale a pena em tudo!
     Meus finais de semana eram livres então aproveitei alguns para viajar mas aqui falarei apenas de Trezzo pois foi o lugar onde eu me reencontrei...
Não sei porque não tive a ideia de escrever um blog naquela época pois seria perfeito para deixar a mente viajar. 
        Havia um banco no castelo, com a vista para o rio Adda, onde eu estava em todos os meus períodos livres. Ali eu estudava, ouvia música, pensava e encontrava a paz. Pude entender o que havia acontecido comigo para que tentasse não permitir outra vez: parei de conversar comigo. Havia parado de dar ouvidos a mim mesmo, não me conhecia mais... como então eu poderia ser capaz de resolver problemas ou até mesmo manter amigos fiéis? 
      Quando não nos conhecemos, não temos quase nada. Quando não podemos nos fazer companhia e ser agradáveis conosco, quem iria gostar de cumprir este papel? Enfim....essa foi a grande descoberta. Eu precisei de várias doses de mim até entender o que significava tudo aquilo.
    Estudei italiano em um casebre da prefeitura, tinha colegas da África, França, Marrocos... A professora era uma senhora tranquila e paciente, que experiência boa....
A historia conta que Leonardo da Vinci chegou a conhecer bem esse lugar. De 1482-1508 foi o artista da corte de Sforza, em Milão e viveu por muito tempo na bela vila às margens do condado Adda em Vaprio d'Adda, vizinho a Trezzo!
     Durante o Carnaval o Piero tem lugar no sábado, é um boneco de palha que é queimado em uma plataforma colocada no Adda para celebrar a festa... é no final da temporada de inverno; é uma celebração muito significativa com desfiles e eventos musicais em que a cidade inteira fica mobilizada.
O castelo que falei la em cima, o meu lugar preferido, chama Visconteo. Ele está localizado em uma das curvas do Rio Adda, possui uma torre de 42 metros de altura. O castelo foi construído para defender uma ponte... Bernabo Visconti morou no castelo e tambem ficou preso la até sua morte nas mãos de seu sobrinho Gian Galeazzo Visconti.
A ponte era uma única extensão de 72 metros, 25 metros de altura acima da água, construída em três níveis separados para permitir a passagem de carros e pedestres, pois naquele tempo era uma obra bem dificil, tornando-se a maior ponte o mundo, pelo menos ate antes da Revolução industrial.
 
No proprio Castelo tambem existe a historia que conta da maldade do  Bernabo Visconti: ela não se limitava a ser cruel apenas  no tratamento dos inimigos capturados na guerra, mas também com visitantes indesejados. No Castelo de Trezzo havia dois poços profundos que terminavam no rio Adda. Em um desses poços Bernabo mandou colocar lâminas afiadas montadas ao longo da parede de modo que quando alguém foi lançado, antes de cair para o fundo e acabar no rio seriam completamente cortados e perfurados. 
Este destino servia tambem para todas as meninas com quem ele se relacionava. Ele organizava festas suntuosas e no final da noite, depois de ter enganado a todos, ele as atirava no poço. 
Che paura!
Diz a historia que ate mesmo uma das suas muitas filhas foi morta desta maneira, pois havia se apaixonado por um rapaz que nao foi do seu agrado e este tambem foi condenado a morte. Dizem que a água do rio Adda ficou vermelha por dias por causa da quantidade de sangue derramado.Mas o poço de horror não era o único instrumento de morte utilizado pelo Senhor.O porão do castelo foi feito a partir de cavernas naturais, onde a umidade do rio circundante criava várias infiltraçoes de água. Em particular, em uma dessas cavernas, havia uma sala que era chamada de "sala da queda" pois gotas de água caiam do teto em intervalos regulares. Os prisioneiros eram amarrados e colocados na sala, logo abaixo de uma dessas gotas que caia lentamente e ininterruptamente. Ao longo do tempo, os levava à loucura e causava uma morte dolorosa.
A hidrelétrica Taccani Alexander é uma usina histórica que se localiza em uma das curvas do rio Adda.O sistema tem seis geradores com uma capacidade total de 10,5 MW gerado. O edifício, desenhado por Gaetano Moretti é um exemplo de arquitetura. O lugar é ideal para um passeio ou um piquenique à beira do rio.
Eu aprendi muito com essa viagem! Espero que a minha experiencia possa servir para outras pessoas tambem! 
"Tão natural quanto a luz do dia
Mas que preguiça boa Me deixa aqui à toa Hoje ninguém vai estragar meu dia..."

Charlie Brown Jr.